... depois de hoje! Numa das atitudes mais sensatas que terei tomado nos últimos tempos! Uma decisão a que fui obrigada. Era imprescindível um ponto final. Contra o que queria, na certeza exacta de que não estarei apenas a ajudar-me a mim própria, ou à Helena. Mas que indirectamente estarei também a ajudar a pessoa com quem vivi. Não exactamente da maneira mais pedagógica. Da única maneira que parecia viável. A última opção.
Não me arrependo, mas são inevitáveis as lágrimas. Não lhe quero mal, quero é sossego. Deus escreve direito por linhas tortas, e é nisso em que tento acreditar. Depois de pouco falar, naquela sala fria. Por saber que o passo que dei foi apenas o início. Por ter a certeza dos riscos que corro, por saber que tudo se pode inverter contra mim! Sem remorsos, a minha verdade, a que conheci. Certa de que cometi tantos ou mais erros, porque nunca aceitei as coisas calada. Reagi. Assustada, talvez. Por ter exposto a minha vida daquela maneira. Por saber que vou ter que entrar em detalhes de coisas que apenas e só queria esquecer. Estou a tentar renascer, e logo com os ecos do passado. Com medo. E vergonha. De me submeter ao que não queria, de ter que ficar transparente, de sujeitar os outros às minhas dores.
Só não reagi de impulso. Apesar de ter feito o que tinha pedido aos outros para não fazerem. Algum dia tinha que ser...
Adivinham-se, portanto, tempos difíceis. Embora pese o facto de uma mudança de atitude minha. sei que estou mais forte. Nem sequer choro por me sentir deprimida, apenas por pena. Dificilmente vou esquecer a tarde de hoje, o que implicou. Dificilmente vou esquecer o facto de agora ser oficial, e não haver caminho de regresso. Dificilmente me esqueço que cheguei a casa e tive a certeza que já tinha de que estão todos do meu lado. Como os olhares me disseram que finalmente tinha tomado a decisão certa. Dificilmente me esqueço que à distância de um telefonema me foi dito gratuitamente "estou orgulhoso por teres tomado uma atitude". Talvez eu também esteja, mas sei o que me dói...

