quinta-feira, janeiro 11, 2018

Os últimos dias trouxeram novos desenvolvimentos e preocupações. A marca gravada do início daquele que, acredito, será um longo caminho!

Comecámos as injecções no dia 9. Duas. Na barriga. A dor física é encarada com optimismo. Há coisas piores. Dores piores. Tento viver este momento com serenidade, sabendo que daqui para a frente será sempre assim.

Amanhã vamos fazer o primeiro controlo ecográfico da medicação.

Descrente neste tratamento. Na certeza, porém de que é o caminho...

quinta-feira, dezembro 28, 2017

Hoje, consulta nos Lusíadas. O Dr. Luís Vicente transmite sempre a mesma calma. A medo, conto-lhe o diagnóstico da MAC. Diz-me que entende. Não concorda. Explica porquê. Que temos tempo. Não há esperas. É menos perigoso. Avançamos cautelosamente, e vemos como corre.

Saio com dúvidas. Não convencida. Começo a pensar. A duvidar. A questionar. De protocolo na mão. E uma sensação de insucesso. Voltar a casa traz-me a calma que precisava. O sossego do colo do Rui. A ansiedade, que não sei gerir... mas tenho que aprender.

Conto os dias mil vezes. Revejo os procedimentos outras tantas. A vida não pára...

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Mais uma etapa...

Habituámo-nos a esta frequência de viagens. Sempre sem dia marcado. Recebemos os telefonemas e ajeitamos os dias da melhor forma. No caminho, digo coisas parvas. Alivia-nos a carga. Descontrai o que, às vezes, dói por dentro.

Uma viagem a mais, é uma viagem a menos. E é sempre isso que me dá força...


segunda-feira, dezembro 11, 2017

Nesta co-existência de público e privado. Hoje liguei para a MAC, onde estamos inscritos desde Julho. Tendo sido a primeira consulta em Novembro, aguardávamos apenas a marcação de um exame para o processo avançar.

Liguei para saber dos tempos de espera. Porque me lembro, vezes sem conta. A vida não pára... mas este processo parece não ter fim! Nada avança. Ou tudo se faz... devagar.

Que não sabem. Não há previsão. Este ano não se marcam exames. Só para o ano. Em Janeiro chamarão por ordem... e sabe Deus que ordem é esta...

Perco a esperança. Mais uma vez. Talvez já não seja 2018. E eu estou cansada de esperar...

terça-feira, dezembro 05, 2017

Sempre igual...

Nestas andanças, o que mais custa gerir é a ansiedade. Tudo parece demorar tempo demais. Tudo tem uma duração interminável. À nossa volta, a vida não pára! Às vezes sinto-me só triste. Noutras vezes tenho esperança. Acredito. Mas parece que nunca acontece...

De repente, passamos a viver em função de um calendário. Amamos em função dos dias! Pode haver amor mais artificial que este?

Esta semana há exames. Mais um passo. Enquanto esperamos pela próxima consulta. Enquanto sinto algo que não tenho...

Hoje, um teste. Queria ter a certeza, antes do exame. O racional via uma janela branca. As minhas emoções procuravam em contra-luz uma pequena risca que era capaz de jurar que vi...

Estou cansada. Extremamente cansada. Cansada de não saber...

quinta-feira, novembro 23, 2017

Breaking down...

Deve haver uma determinada altura destas andanças em que tudo parece desabar. Semelhante a uma sensação de tentar nadar com todas as forças para fora de um poço, sem nunca conseguir chegar à tona...

Depois de uma sucessão de acontecimentos tristes dos últimos meses. Depois de dias e dias de incertezas. Esperanças goradas. Frustrações. Hoje foi o dia de ir abaixo. Chorar horas seguidas. Sem rumo. A fazer renascer aqueles pensamentos negros que, de quando em vez, me invadem. Como seria voltar para outro lado? Fugir? Desistir... 

segunda-feira, novembro 13, 2017

Mais uma viagem...

6 da manhã. Acordar e ir para Lisboa. Uma hora para atravessar a cidade, e análises hormonais feitas em 5 minutos. Regressar a correr. Aulas. Entrevista para estágio. Um lugar que parece tão sonhado, quanto inalcançável...

A vida não pára. A cabeça a mil. Marcar consulta, para pedir mais exames. É preciso uma nova ecografia. Aproveito, e peço o resto dos exames de rotina.

Difícil... muito difícil de gerir esta ansiedade. O dilema de não saber o que fazer ou como agir. Esperar ou não? O medo de comprometer o futuro, em função de um capricho...

Dieta. Dieta há poucos dias. A sombra do fracasso sempre a pairar. A certeza de que acabo sempre por me auto-destruir.

A vida não pára...

quarta-feira, novembro 08, 2017

De hoje...

Hoje foi dia de primeira consulta na MAC. 4 meses de espera. As pesquisas a que já me habituei. Já sabia o que ia acontecer, mediante o médico que calhasse. Ou pensava que sabia...

Ao fundo do corredor, chamam-nos pouco depois das 8h00. O Dr. mais temido. Manda-me pesar. Quebro o gelo, com uma ou duas graçolas. Temos gostos comuns. Ele quer estudar cozinha quando se reformar. Cheio de regras e rigor, numa primeira análise, pede-nos exames já feitos. E eis que surge um diagnóstico diferente do que tínhamos até aqui. A confirmar-se as suspeitas... iremos para FIV.

Dali, sem pressas (não pensava que o serviço público fosse assim), seguimos para a enfermeira, que nos explica os próximos passos a dar e exames a fazer. Depois nutrição. Assistente Social. E, por pouco, falhamos a Psicologia. Pacote completo para um só dia. Afinal vêm que somos de longe, e tratam-nos como humanos. Têm o cuidado e a sensibilidade de perceber que as viagens são penosas...

Também o é este processo. A angústia de não saber o que esperar. O que depende de nós, o que não depende. Agora é esperar. E ter paciência. Tudo acontece devagar...

Voltar a casa...

Já tive não sei quantos diários, desde que fechei esta porta. "Às páginas tantas", descobri que era aqui que fazia sentido voltar. Onde tudo começou. Onde habitam as minhas mais antigas e doces memórias...

Como que se um regresso se tratasse, a imagem de abrir as janelas, para deixar entrar o sol. O "destapar" dos móveis antigos. Sacudir o pó...

Esta casa é a casa onde me fiz (mais) mãe. Esta será a casa onde, se Deus quiser, serei mãe outra vez.

Que bom, o regresso...

segunda-feira, março 31, 2014

Inevitavelmente...

... as sessões de psicoterapia terminam em lágrimas. Ou assim começam. Fora da zona de conforto. A tocar nas feridas. Em todas as feridas.

Na última, como que a adivinhar-me os medos. A angústia. Pergunta-me simplesmente: "Quantos espelhos há lá em casa?" A resposta óbvia. Quando me mudei, a primeira coisa que fiz foi eliminar os espelhos. O silêncio. Um silêncio que se pede quando sou quase obrigada a reflectir sobre o que acabei de dizer!

Dizem que temos que ter uma certa empatia pela pessoa que quase nos despe a alma. Aquela pessoa que, não nos conhecendo, nos vai guiando. E nos manipula, no sentido de chegar ao caminho certo.

Ainda não encontrei o meu caminho. Sinto-me muito longe da cura. Arrumei um ou outro fantasma. Mas ainda sou aquela Vera. Da folha em branco. Aquela que vejo, e não gosto. Sem a força necessária para mudar. Em negação. Queria conseguir escrever naquela folha que mudei, e não consigo...

quarta-feira, março 19, 2014

Dos lugares comuns...

Em quase 13 anos, de saudades, clichés e lugares comuns... quase tudo foi dito. Esta falta, que me fazes. Que me dói. Dor física. Que me enche os olhos de lágrimas, e me deixa o coração apertado. Esta revolta que o tempo apaziguou. A carta que te escrevi, e continua comigo, todos os dias. A verdade crua... nunca vais lê-la. E eu vou viver a vida toda sem te ter dito tanta coisa...

Continuas, ao fim deste tempo todo, a despertar o melhor de mim! Deixaste a tua marca. A melhor herança que podia ter.

Guardo centenas de memórias. Estas memórias que alimentam a alegria que foi ser tua filha.

Amo-te mais. Por teres sido o pai que foste! Sempre!

segunda-feira, agosto 12, 2013

Blue October - Hate Me



Há músicas que me lembram determinados momentos. Esta é o meu limite. O Stop. O "pára", que já não dá mais. O fundo do poço.

Ultimamente , o sentimento imenso de depressão. O sono, a contrastar com noites inteiras e vazias. A espiral. A derrota. A revolta. Saber que agora tenho o que nunca tive. A dor do remorso de não conviver facilmente com essa realidade. Não conseguir dar o melhor de mim, sem justificar porquê!

Tantas vezes na memória minutos daquele dia. Conduzir sem razão. O choro compulsivo. O cabelo. O meu cabelo cortado. Eu, desfeita em pedaços. Pedaços da vida que continuo a não recuperar. Imagens que se sucedem. O desespero e a dor. A dor dilacerante. O passo em frente. Nem esse consigo dar. Acabar com isto tudo. Parar, enfim...

terça-feira, abril 30, 2013

Das frustrações...

Da vida que não acontece. O sonho que tarda. Um choro que persiste. Viagens de carro, que não acabam. A desvalorização. O quanto me sinto perto de lixo. Esta sensação plena de viver com medo. Medo de repreensões. Do que fiz, do que não fiz, do que posso vir a fazer.

Estou cansada destes anos. Cansada deste esforço. De me dar tanto. De dar tanto de mim. De ter abdicado de tanto. Cansada de não sentir retorno, nem evolução. Nem coisa nenhuma...

Um dia, se pudesse, virava as costas. E não voltava. E era mais feliz...

segunda-feira, abril 15, 2013

Dos dias...


... que passo sem ti. Mais um. Como se o teu crescimento me escapasse. Como se pudesse justificar esta escolha. Tento não te falhar, mas sei que falho. E sofro com isso. A cada minuto dos meus dias. Em prol deste bem. Do teu bem. Que me faz mal!

E estás crescida, tão crescida. Tão linda. Tão única. A minha menina-mulher. Estás mais adulta. És activa. Não páras. Não nos largas. Não queres sair de nós. Aproveitas o colo. E eu, contigo ao colo, respiro-te!

Custa-me não te cheirar. Não te ver todos os dias. Não ter ter aqui, em "style", todos os dias. És a minha estrela, a minha pequena estrela. A minha maior e mais perfeita criação.

E eu amo-te. Como daqui até à lua...


segunda-feira, abril 01, 2013



Uma dor difícil de explicar.  A dor de quem já sangrou vezes demais. A dor de quem já não percebe exactamente o que sente!

E as lágrimas. A saudade. A perda. Mais uma perda. Outra perda.

Explicar, como sentir. Mais uma estrela. Outra estrela. Alguém, que olhe por nós. Alguém que continuamos a amar, sem esquecer. Sem pensar. E querer…

Que Deus receba a avó do coração. Que Deus lhe tenha dado finalmente o merecido descanso. Não nos sossega a alma. Não nos acalma a dor. Não nos facilita o sentimento de injustiça. Que fique em paz. Que sinta a paz. Que viva finalmente em paz.

E que a sua memória permaneça hoje. Sempre. Nas nossas vidas, nos nossos sorrisos.

terça-feira, março 19, 2013



O dia passa a correr, e já não é o mesmo. Nem as montras, cheias de lembranças. As memórias. O sorriso, o teu sorriso. A tua presença, ainda que ausente.

É dia do pai, e eu perdoei quem te levou de mim. Quem te levou de nós. Choro, de quando em vez. Tenho-te em muitos sonhos. E tenho medo. Medo de me esquecer das tuas feições. Medo de não voltar nunca mais a ver-te. Medo de nunca mais te poder abraçar.

Já te disse isto, vezes sem conta. Fazes-me falta. Fazes falta a todos. Fazes uma falta incrível ao teu pai. Fazes falta aos teus amigos. Fazes falta às meninas. Fazes falta aqui...

Nunca nada nem ninguém vai preencher este vazio. E eu amo-te sempre. Para sempre. Todo o sempre...

quarta-feira, março 13, 2013

Emocionante...

... ouvir "habemus Papam"! Sem imaginar como será ao vivo. Naquele lugar mágico.

Francisco. A sorrir. O Papa Francisco...

terça-feira, março 12, 2013

Barcelona em 2007...

Parece que foi há alguns anos que me apaixonei de morte por esta cidade.

Onde tive o privilégio de voltar mais duas vezes. Onde ainda existe tanto por descobrir!

(E alguém me explique como é que tive a distinta lata de tirar fotos no Miró...)!


















Sou...



... completamente viciada em música brasileira. De todos os géneros e feitios. Das mais antigas, às mais modernas. Daquelas cheias de clichés.

Ai...

"Tou morrendo de vontade de você"!

segunda-feira, março 11, 2013

Depois...


... da Tunísia. De Valência. Do Japão. Voámos mais uma vez juntos. E corremos cantos e recantos de Barcelona em quatro dias muito cheios de sabor. 


Custa-me descrever o dia, e a sensação. Custa-me assumir que naquele edifício austero, mesmo ao cimo das escadas... ia confiante e vacilei. Quando naquela fracção de segundos, três caras me olhavam e quase sucumbi! De repente, 3 anos em revista. Pedaços do tempo em que não era eu. As minhas fragilidades expostas. O que não estava preparada para ver. Nunca. Sorrir e pensar, "como assim?" Pegar no telemóvel e dizer a medo... está aqui, o meu fantasma! Estou bem, mas não estava...

A espera. O tremer das mãos. A entrada na sala. Sem saber como ser e como estar. Aquelas palavras como que paternais. A pressão. E eu... a desfazer-me. Como em tantas outras vezes. Como em tantos outros dias. As lágrimas que já havia chorado. A falta de ar. A sensação de injustiça. A luta interior... forgive and forget. Ou ficar, e lutar mais uma vez.

Fiz por perdoar. Por mim. Pelo meu amor. Por achar que já merecíamos a paz que não tivemos em três anos. Não foi a melhor solução. Preferia ver aquele agora estranho ser mais castigado. Mais repreendido. Mas isso não apagava a minha mágoa. A minha raiva. O meu rancor.

Se disser que pesei em segundos o que para mim era melhor. A velha máxima. Nada justifica a violência do que me foi feito, o que foi destruído em mim. Na minha família. Na minha vida. Nada me pode trazer a dignidade que perdi. Beneficiei o infractor. Nunca por ele. Que ele é só aquilo que é. Um lixo humano. Mas por mim...

Virei as costas sem remorsos. Senti, vezes sem conta, que não o devia ter feito. Que devia ter continuado, agora que estava tão perto. Mas era uma luta que já não queria ter que sentir.

Avancei. Agora não sou só eu, nem estou sozinha. Pela primeira vez, uma sensação incrível de alívio. De libertação. Não mais este fantasma vai pairar na minha vida nem em mim.

Sou muito mais feliz desde o instante que desci as escadas daquele tribunal.

("Seja selectivo nas suas batalhas. Às vezes estar em paz é melhor do que estar certo"!)

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Um dia...

... a vida muda. Muda tudo. E há mudanças das quais preciso há tempo demais!

Sem forças, nestas tentativas sucessivas que tenho feito ao longo dos tempos. A minha incapacidade de me comprometer. A certeza sempre, de que vou falhar!

Deixou de ser um prazer. Uma roupa nova, ou um espelho. Para se tornar numa rotina, ou numa tortura.

Na certeza de que tenho que começar por mim, por saber, por ter a certeza. De que longa é a caminhada, que ainda agora começou.

De que os insucessos do passado não são certezas no futuro.

Preciso de mudar. Por mim, por ti, por nós. Pela família que somos, pela Helena. Preciso de voltar a gostar de mim. Preciso de ter vontade de correr na praia. Preciso que me segures ao colo!

E como eu preciso de colo...

domingo, janeiro 06, 2013

Espiral destrutiva...

Tem sido assim, na minha solidão. Os dias custam a passar. A frustração de sempre. O medo. Aquele medo que continua a perseguir-me tantos anos depois. A vida que parou naqueles dias. O que morreu em mim, e não mais voltou a renascer...

Sinto-me assim, numa espiral. Sinto-me cair. Sinto-me, por melhor que seja a condição, um ser humano menor. Sinto que não mais vou resolver tudo isto, nem na cabeça, nem no coração!

E não gosto. Nem sei reagir. E tenho saudades de mim...